O dia sete de abril “Dia Mundial da Saúde” é também a data de criação da Organização Mundial de Saúde - OMS órgão da ONU para assuntos de saúde que têm como missão propor medidas que permitam a melhoria da qualidade de vida e que proporcionem um melhor estado de saúde da população mundial.
A OMS define saúde como “um estado completo de bem estar físico, psíquico e social”, não somente a ausência de doenças. Do ponto de vista da gestão e do gerenciamento do sistema de saúde, a manutenção da saúde das pessoas continua sendo um grande desafio para todos os governos e para a sociedade. Vivemos, hoje, uma contradição que merece reflexão: apesar da incorporação de novos conhecimentos científicos e dos avanços tecnológicos disponibilizados para a maior parte da população mundial, ainda se morre, na maioria das vezes, de doenças evitáveis. Dados recentes da OMS mostram que apenas cinco condições ligadas aos hábitos e comportamento como hipertensão, tabagismo, hiperglicemia, sedentarismo e sobrepeso são responsáveis por uma em cada quatro mortes que ocorrem no mundo. Para enfrentar este desafio, é preciso reformular o sistema de saúde para prover as necessidades essenciais dos cidadãos. Construir um adequado modelo de atenção à saúde que valorize as ações de prevenção e promoção da saúde e não apenas cuide da doença. E, ainda, criar na população a consciência da responsabilidade pelos cuidados pessoais, com mudanças de hábitos e do estilo de vida, que possam propiciar impacto nos determinantes de saúde individual e coletiva.
Somos hoje 6,8 bilhões de habitantes; nascem 138 milhões e morrem 60 milhões a cada ano; a maioria destas mortes por doenças evitáveis ou tratáveis o que permite uma expectativa de vida ao nascer, de mais de 80 anos nos países desenvolvidos, alguns chegando aos 100 anos, o dobro do encontrado em países pobres da África Um fato preocupante é o crescente aumento das doenças cardiovasculares; principal causa de morte no mundo, fruto das mudanças nos hábitos de vida e que vêm de forma acelerada acometendo também as mulheres. Outro é o câncer que teve a sua incidência dobrada nos últimos 30 anos, é responsável por 13% das mortes no mundo, e está relacionado ao envelhecimento da população, mas também a outros fatores de risco que poderiam ser evitados. Os exames preventivos para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são medidas eficazes para modificar este quadro. A longevidade.
A longevidade é, sem dúvida, um triunfo. Há, no entanto, importantes diferenças entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento. Enquanto, nos primeiros, o envelhecimento ocorreu associado às melhorias nas condições gerais de vida, nos outros, esse processo acontece de forma rápida, sem tempo para uma reorganização social e da área de saúde adequada para atender às novas demandas emergentes. Para o ano de 2050 a expectativa no Brasil, bem como em todo o mundo, é de que existirão mais idosos que crianças abaixo de 15 anos, fenômeno esse nunca antes observado.
A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) define envelhecimento como “um processo seqüencial, individual, acumulativo, irreversível, universal, não patológico, de deterioração de um organismo maduro, próprio a todos os membros de uma espécie, de maneira que o tempo o torne menos capaz de fazer frente ao estresse do meio-ambiente e, portanto, aumente sua possibilidade de morte”.
O envelhecimento pode ser compreendido como um processo natural, de diminuição progressiva da reserva funcional dos indivíduos – senescência - o que, em condições normais, não costuma provocar qualquer problema. No entanto, em condições de sobrecarga como, por exemplo, doenças, acidentes e estresse emocional, pode ocasionar uma condição patológica que requeira assistência - senilidade. Cabe ressaltar que certas alterações decorrentes do processo de senescência podem ter seus efeitos minimizados pela assimilação de um estilo de vida mais ativo.
Muitas pessoas idosas são acometidas por doenças e agravos crônicos não transmissíveis (DANT) - estados permanentes ou de longa permanência - que requerem acompanhamento constante, pois, em razão da sua natureza, não têm cura. Essas condições crônicas tendem a se manifestar de forma expressiva na idade mais avançada e, freqüentemente, estão associadas (comorbidades). Podem gerar um processo incapacitante, afetando a funcionalidade das pessoas idosas, ou seja, dificultando ou impedindo o desempenho de suas atividades cotidianas de forma independente. Ainda que não sejam fatais, essas condições geralmente tendem a comprometer de forma significativa a qualidade de vida dos idosos.
É função das políticas de saúde contribuir para que mais pessoas alcancem as idades avançadas com o melhor estado de saúde possível. O envelhecimento ativo e saudável é o grande objetivo nesse processo. Se considerarmos saúde de forma ampliada torna-se necessária alguma mudança no contexto atual em direção à produção de um ambiente social e cultural mais favorável para população idosa.
No trabalho das equipes de Atenção a Saúde, as ações coletivas na comunidade, as atividades de grupo, a participação das redes sociais dos usuários são alguns dos recursos indispensáveis para atuação nas dimensões cultural e social.
Dentro dessa perspectiva, – Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa, uma serie de medidas estão sendo adotadas pelo SUS – Sistema Único de Saúde, tendo como referência o Pacto pela Vida 2006 e as Políticas Nacionais de: Atenção Básica, Atenção à Saúde da Pessoa Idosa, Promoção da Saúde e Humanização no SUS. Tudo foi pensado no sentido de se obter uma abordagem integral para as pessoas em seu processo de envelhecer.
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